Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Efeito Urtigão - estreia essa sexta




Às 21:00

Texto do Paulo sobre a peça

Desde que a peça Efeito Urtigão estreou, isso já tem alguns anos, eu nunca escrevi nada. Muitos já escreveram sobre o espetáculo. O que eu enxergo de ponto de vista da interpretação do texto, quando no palco, é uma devastadora solidão dos dois personagens. Há evidentemente a solidão do autoexílio, do isolamento consentido e da decisão pessoal do jornalista Marcos Pereira (Mário Bortolotto). Essa é uma solidão que aos poucos vai se tornando ultrauterina e ele a preserva. Ele a preserva não acreditando em nada nem em ninguém. Nem na afetividade da amizade, tampouco no amor. Questiona a dignidade e a ética de sua profissão. Niilismo puro? Não sei. Talvez. Se isto significa a redução de tudo a nada, sim, então é niilismo. Mas será que isso realmente acontece? Marcos Pereira não se rende ao jornalismo de redação politicamente correta. Não aceita entregar seu talento e seu sonho de escritor aos hipócritas que vendem e consomem notícia. Inconformado, se afunda em álcool e brigas de bares como se procurasse um fim. Um suicida incompetente que parte para o autoexílio dentro de seu próprio mundo. Mas há também a solidão daqueles que gostariam de fazer parte do sistema mas não conseguem e, sufocados por essa ordem de ideias estabelecidas, tornam-se medíocres, indo pouco a pouco, lentamente, gradativamente, vivendo à margem dessa engrenagem. A esses, falta a coragem de romper profundamente com o código de uma sociedade fundada e mantida sob a égide de que "só sobrevive aquele que se submete". A estes só lhes restam vagar na zona tormento do ostracismo. Só que estes não optaram pelo isolamento. São isolados. Esse é o isolamento de Emerson (Paulo de Tharso).

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009




Um dia inverti o tempo

E minha poesia concreta deu em cimento





Se me perguntassem, eu diria que viver é sorver ovos fritos cheios de óleo. Ainda que quase crus.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Candy


Ela entrou no elevador e carregava um cartão postal. Eu tentei dizer a ela, ei, hoje em dia ninguém mais manda cartões postais. Mas ela ouvia Iggy Pop em seu iPod e desceu no décimo segundo andar.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

J.D. Salinger

O cara estava assistindo o Canal Brasil. Falsa Loura, do Reichenbach. Levantou-se, pediu o divórcio à esposa, esmagou uma barata, passou Grecin 5 castanho claro no cabelo, aumentou a temperatura do aquário, escreveu sua carta de demissão, cortou as unhas do pé, fez um origami com a folha do jornal, lambeu dois selos antigos, vestiu um casaco, ligou para Valéria e disse que a amava. Adormeceu e sonhou com bolhas de sabão em pó.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Tudo é biodegradável, menos o domingo


Aí descemos a 13 de Maio e paramos lá no bar do Chico pra uma cervejinha. O que veio depois foi uma confluência de personagens tão ímpares que chegamos a desconfiar de uma esquizofrenia coletiva. O garoto dono da papagaia Suzy, agora com 80 anos e sem bico (sic); um senhor com uma risada maléfica que se autodenominava, tirando a boina de lã, "Kojak ou coisa pior"; um velhinho argentino de 86 anos que após entoar um tango afirmou: Yo no tengo nada. No tengo cancer, no tengo Alzheimer, no tengo cirrose. Pero pinto tengo! O Márcio José, cantor galã das antigas que ainda mantém a pinta de galã. Esse mandou Chico Alves, Nelson Gonçalves, Noel Rosa, acompanhado pelo violão do Sócrates, uma figura perdida da noite paulistana que fez um backing incrível para O Último Trago do Paulo; um sósia do John Wayne campeão nacional de tango; uma gorda banguela que assediava descaradamente um distinto homem de chapéu; o onipresente Senhor Miyagi numa camisa preta com bolas coloridas; a Berna, ex-prostituta hilária que faz parte de um projeto nosso; Ronaldo Esper e seu charuto que não alfinetaram ninguém e um omelete com tudo dentro repousando no centro da mesa. Eu e minha ficção não faríamos melhor.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

São Valentino

Paulinho,

Eu na versão Pamela Anderson
de presente de Dia dos Namorados
pra você
Com todo amor que há em meu peito

Dri.