quarta-feira, 13 de maio de 2009

Troféu HQMIX


categoria Roteirista Nacional - indicados

1 André Diniz ("Coleção História e Filosofia em Quadrinhos" - Escala Educacional)

2 Adriana Brunstein e Samuel Casal ("Prontuário 666" - Conrad)

3 Daniel Esteves ("Nanquim Descartável" - Independente; "Front" - Via Lettera)

4 Cadu Simões ("Nova Hélade" - Independente Garagem Hermética - Independente)

5 Fábio Lyra ("Menina Infinito" - Desiderata)

6 Fábio Moon e Gabriel Bá ("Descobrindo São Paulo" - revista Época SP)

7 José Aguiar ("Quadrinhofilia" - HQM)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Anuário


No primeiro dia ele disse a ela que eles não combinavam.
No primeiro ano ela disse a ele que não se lembrava de como tudo havia começado.
No segundo ano ele disse a ela que iria assistir televisão.
No terceiro ano ela disse a ele que talvez não dormisse em casa.
No quarto ano choveu demais e ambos ficaram calados.
No quinto ano ele disse a ela que ela estava diferente.
No sexto ano ela disse a ele que ele tinha razão.
No sétimo ano ele disse a ela que não quis dizer aquilo.
No oitavo ano ela disse a ele que também não quis dizer aquilo.
No nono ano ele disse a ela que não sabia do que ela estava falando.
No décimo ano, quando anunciaram o fim do mundo, ela disse a ele que

sábado, 18 de abril de 2009

Aqui se fuma em paz

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nilton, o orbital


Nilton vinha orbitando ao redor do umbigo já fazia algum tempo. A mulher se irritou e acabou saindo de casa pela tangente quando ele estava exatamente no ângulo de 47°. Ele soube que logo depois ela se casara com outro, um que virou matéria do Fantástico por ter sido, durante a gestação, alimentado via um cordão umbilical artificial. Aos 83° ele pensou em se matar, mas aos 90° ele teve a certeza de que ela voltaria. Nilton tem problemas com a gravidade.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Morgue



-Tá frio aqui, não?
-Um pouco.
-Sabia que Billy Wilder teve que cortar a cena inicial de Crepúsculo dos deuses, na qual os mortos conversavam no necrotério?
-Por que?
-As pessoas deram risada na pré-estreia.
-Isso me deixa puto da vida.
-Você deveria dizer puto da morte.
-Não teve a menor graça.
-Eu sei.

sexta-feira, 20 de março de 2009

C.A. - Cortisólatras Anônimos



Quando você acha que já se viciou em tudo quanto é coisa, legal ou ilegal, seu dermatologista judeu que obviamente não está no seu convênio, fala que sua pele está viciada em cortisona. Sua dermatologista anterior, uma espanhola botoxilizada, não entendendo lhufas do que hoje foi diagnosticado como dermatite perioral, te receitou uma pomadinha com corticóides. Sua pele adorou isso, exigia cada dia mais do produto. Com mais alguns dias de uso, sua cara iria ficar ainda mais vermelha, espinhas e acnes do Movimento dos Sem Rosto armariam acampamento e não sairiam nem por decreto. E tudo se finalizaria com estrias irreversíveis, até você virar sósia do Chuck, o brinquedo assassino. Estou agora na reabilitação do cortisona, iniciando novo tratamento e rezando para que a abstinência não desencadeie uma série de movimentos faciais involuntários. Tique nervoso já é um pouco demais.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Por acaso?




Sempre fui adepta do acaso. Minha tese de doutorado em física foi totalmente dedicada a ele. Essa figura brinca com isso, Deus escolhe aleatoriamente um ponto no que chamamos de espaço de fase e voilà! Eis a vida. Tenho cá com meus botões que ele deve ter espirrado com a poeira cósmica e, por um desvio milimétrico, seu dedo foi parar num ponto que não era o escolhido. Mas enfim, estava feito. E eu fui parar na física pra tentar entender pelo menos parte dessa dedada. No filme Magnólia tem aquela frase This is something that happens. Simples assim, como tatuar uma magnólia nas costas como um brinde à aleatoriedade das coisas. Trabalhei anos com física e depois fui pra biologia trabalhar com evolução e suas mutações que ocorrem ao acaso. E, deterministicamente, larguei tudo para virar escritora e dar um tempo da vida real. Sempre fui uma exímia mentirosa numas de tentar sobreviver, não tinha outra saída. Escrevi um livro sobre um mitômano. Hoje o acaso já não me é tão convincente, perdeu um pouco da força embora ainda se manifeste, pelo menos sob meu ponto de vista que é meu grande carcereiro. Continuo sem entender porra nenhuma sobre o sentido da vida, se é que há algum. Não sei para onde estou apontando e, como Deus, tenho rinite.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Saqueado do blog do Ademir Assunção


aos poucos

vamos ficando

loucos

aos loucos

nada de muito

pouco

domingo, 30 de novembro de 2008

É o que eu sempre me pergunto


- Nossa, Adriana, você tem doutorado?
- É, tenho.
- E pós-doutorado também?
- É, também...
- E você simplesmente largou tudo?
- Larguei.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Autópsia



Eu bebo meu fígado, fumo meu pulmão, dou nós em minhas veias, vicio meus neurônios em sinapses que eles não conheciam. E meu corpo continua vivo só para soltar uma grande gargalhada.

Anfetamina


Tem uma brasa
Dentro do meu crânio
E tudo se torna perecível
Menos meu vício
Na nicotina

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Quântico


Se não estivesse esse frio do caralho eu corria aí e te dava um abraço e te falava que tudo mudou naquela sexta-feira às 23:13, a hora exata que você encostou naquela parede. Eu devia ter dito às 23:15, a hora exata que parei de te olhar porque alguém derrubou cerveja no meu pé. Meu erro foi ter desviado os olhos de ti e te deixar desaparecer.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

I Encontro de Portadores de Rinite Anônimos




- Faz uma hora que eu não espirro.
- Oh...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Segunda-feira com Bukowski

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Uso obrigatório de lentes corretivas


Ninguém lê
mais do que
três linhas

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Chuck Palahniuk Café e Cigarros


Sou irreversivelmente viciada nesse cara e nesses restaurantes típicos de filmes americanos. Melhor ainda se estivermos em algum lugar perdido do Middle West, fumando um Camel, esperando a garçonete encher nossas xícaras com café fumegante e ouvindo uma gravação chiada de Tom Waits. That´s fucking life, man. Isso é tudo que eu falaria pra ele.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Review do Universo HQ

Muito bacana o review do Prontuário 666 feito pelo Universo HQ. Confira abaixo.

Sinopse: 1988, Casa de Detenção de São Paulo. Um assassino de crianças aparece cruelmente morto. Nas costas, uma tatuagem indica que o culpado é um velho prisioneiro, um certo Zé do Caixão.

Positivo/Negativo: No começo do projeto, o cineasta José Mojica Marins tinha dúvidas sobre interpretar seu personagem mais famoso, Zé do Caixão, no longa-metragem Encarnação do demônio. Ele chegou a considerar a hipótese de escalar um ator mais novo.

Afinal, seria difícil explicar por onde teria andado o funerário ao longo dos 40 anos que separam o novo filme de Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967).

Segundo as entrevistas que Mojica concedeu durante a divulgação do filme, a solução veio do co-roteirista Dennison Ramalho: Zé do Caixão teria sido preso por quatro décadas.

É essa brecha que Samuel Casal usa para criar seu Prontuário 666. A HQ conta justamente a história do Zé do Caixão encarcerado.

A história se passa em 1988, na Casa de Detenção, em São Paulo. Aliás: um dos méritos da HQ é o nível de detalhamento com que retrata a vida na prisão. Aparece desde o metrô da Estação Carandiru passando ao longe até a pinga Maria-Louca, produzida clandestinamente pelos detentos. A inspiração de Casal e Adriana Brunstein parece clara: é o excelente documentário O prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento - produtor de Encarnação do demônio e autor da introdução de Prontuário 666.

Outro ponto alto do roteiro é o de estar calcado diretamente na mitologia de Zé do Caixão, tal qual foi consolidada nos dois longas-metragens dos anos 60.

Afinal, como aponta Sacramento na introdução do volume, muita coisa já foi criada a partir do personagem, mas a maioria o relacionava ao oculto. E isso é uma bobagem, já que Zé do Caixão é uma criatura plena de convicções e que defende justamente que o obscurantismo é uma fraqueza da humanidade.

Em uma das cenas mais emblemáticas deste respeito pela lenda original, Casal e Adriana mostram que Zé esconde suas anotações em um buraco na parede coberto por uma imagem de Jesus Cristo. Ele sabe que, além dele próprio, ninguém no Carandiru tem estofo para rasgar um quadro supostamente sagrado.

Prontuário 666 retrata esse Zé, um homem que busca uma mulher perfeita para criar uma linhagem de seres humanos superiores. Com o que julga ser ralé, ele não se importa. Pelo contrário: quer mais é se livrar da escória, ajudando a melhorar o mundo para os descendentes de seu sangue.

É daí que a Casa de Detenção é perfeita para Zé: ao ficar preso com o pior que a humanidade tem a oferecer, pode matar à vontade.

O álbum parte dos dois primeiros filmes do personagem e prepara terreno para Encarnação do demônio. É na prisão, em uma cena-chave da HQ, que Zé do Caixão tem as primeiras visões com os mortos que deixou pelo caminho. No novo filme, essas assombrações voltarão a aparecer.

Ao excelente roteiro se soma a arte de Casal, ilustrador e quadrinhista premiado, que faz aqui um trabalho de fôlego ao trabalhar com chiaroscuro.

À primeira vista, chega a parecer difícil que a história funcione. Mas, mesmo no meio de tantas sombras, Casal consegue salientar o que realmente importa, e constrói uma narrativa difícil de fazer, mas deliciosa de se acompanhar.

Portanto, Prontuário 666 é, desde já, um dos grandes lançamentos de 2008: não só pela HQ fantástica que é, mas pelo papel fundamental que tem em revigorar nos quadrinhos um dos mais importantes personagens da cultura brasileira.

sábado, 12 de julho de 2008

Prontuário 666





Já está em pré-venda o álbum Prontuário 666- Os anos de cárcere de Zé do Caixão, primeiro álbum solo de Samuel Casal com roteiro meu e dele e edição da Conrad.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Matrimônio



- Eu não estou sentindo meu pé, dá pra você sair de cima dele?
- Você pode esperar até os comerciais?
- Esse filme não terá interrupções, são pelo menos duas horas.
- Você acha que dá pra aguentar?
- Acho que não.
- Me dá mais cinco minutos?
- Cinco minutos?
- É.
- Tá bom, mas depois eu vou começar a gritar.