terça-feira, 14 de dezembro de 2010

-Mundinho besta esse, não?
-Se é.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E vamos passando recibo porque era uma vez a etiqueta mas tivemos que eliminá-la.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E o próximo episódio de Jarb-Ass será rodado em Galápagos, onde 57 dragões de Komodo se voluntariaram para fazer figuração levantando a falange indicadora e gritando Uuuuuuuuuuhhh. Nessa mesma ilha perdida em algum canto do Pará está a sede da clínica Darwin de evolução, que conta com ampla estrutura patrocinada pelo Mercado Livre e coíbe  veementemente a presença de vampiros com glitter e qualquer menção ao assunto projetos. No mais, a diretoria torce para que todos estejam bem de tártaro.

sábado, 4 de dezembro de 2010


Tem dias que deveriam ser imortalizados em Blu-Ray ou qualquer merda dessas às quais eu não tenho acesso mas que garantem uma imagem perfeita. Só para arquivo, para uma despretensiosa posteridade, numa embalagem plástica como as que você encontra na Santa Efigênia por poucos centavos. Porque te fazer rir e ver tua empolgação com as páginas que te entreguei tem que ser simples assim. Como sacar um filme da estante e repetir a cena onde o vazio do compartimento para cartão de crédito não tem a menor importância.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

It's seven in the morning. Somebody better be dead.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu ria pacas com esse cara.

terça-feira, 23 de novembro de 2010


Às vezes eu tenho vontade de te ligar para falar umas coisas bobas. Falar que você pode se cadastrar na promoção do celular e pagar apenas 25 centavos na ligação. Falar para você não ser distraído como eu e deixar um tubo de sapólio ao lado do de shampoo porque o cabelo fica uma merda. Falar que o ralo da banheira tá entupido e entalado e que jogar óleo de cozinha não adianta. Falar também que a reforma do prédio ao lado começa cedo e a britadeira me acorda. Que na sexta-feira eu estava na TPM e fiquei com um nó na garganta na fila do Bradesco, só porque o cara à minha frente usava um perfume barato que me deprimiu. Que eu achei que 22 reais não dariam pra pagar o último táxi que peguei e isso me agoniava na frequência de mudança do taxímetro. Eu fiquei devendo quarenta centavos, queria te falar isso também. Que eu me divirto quando sai quebra pau no site de discussão de jogos. Que as batatas que eu comprei acabaram brotando e que lançaram por tempo limitado um Hershey´s aerado. Que eu sou incapaz de organizar meus filmes e por isso os escolho ao acaso. Que eu estou relendo os 64 contos do Rubem Fonseca porque histórias longas têm me feito dispersar. Que eu matei um pernilongo de madrugada, na primeira tentativa, mas não achei seu corpo.  Tenho vontade de te ligar só pra te dizer, ouvindo teu difícil sorriso do outro lado da linha, que, às vezes, é simples assim.

domingo, 21 de novembro de 2010


-Pai, essa camisa tá muito apertada.
-Mas eu comprei na Zara.
-Tá, mas não ficou legal.
-Bom, na próxima vez compro no Zacó.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Vou lá prestigiar o, segundo Mirisola, "crássico". Com a bênção do texto do Márcio Américo e os impagáveis Batata e Wiltão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

-Paixão antiga sempre mexe com a gente
-Ah, não, Tim. Já não bastou o Erasmo agora vem você?
-É tão difícil esquecer
-Se é, meu caro. E não tô acreditando que você apareceu
-Basta um encontro por acaso e pronto
-Acaso nada, eu sei onde ele vai
-Começa tudo outra vez
-Não é bem assim, eu me faço de difícil
-E vendo você
-Palpita tudo, né?
-O coração parece que vai saltar
-Tá, saltar, palpitar, dá na mesma
-Pelo meu corpo saudade em todo lugar
-Nem me fala, uns lugares que nem nome científico têm
-E eu, sem disfarçar, te como com meu olhar
-Cara, eu emagreci pacas, vai ver que é essa coisa de comer com o olhar
-Foi bom demais, não tinha que acabar
-O único amor que dura é o não correspondido
-Meu bem, quando eu te vi, tudo voltou
-Já não disse que sei onde ele vai? É óbvio que vai me ver.
-E eu compreendi
-Taí nossa diferença
-Que eu te amo, quero, adoro sempre mais
-Pensando bem, somos bem parecidos
-Deixa o coração te seduzir
-Tenho arritmia. É sério.
-Não dá mais pra disfarçar
-Não dá mesmo, eu fico vermelha
-Deixa o sentimento decidir
-Desde quando sentimento decide alguma coisa?
-Já é hora de voltar
-É... Pra realidade... Peraí, volta, me dê os motivos de tudo isso. Amor não dura sete mares? Porra, Tim...
Agora é isso. Não posso assistir filme noir que me apaixono irremediavelmente pelo protagonista de tiradas sarcásticas e simulado desprezo por mulheres fatais. Bola da vez: Alan Ladd do alto de seus 1,65 m em A Chave de Vidro, adaptação do romance homônimo de Dashiell Hammett. Ligando agora pro chaveiro. Oi, aqui é Veronica Lake e a coisa é urgente.
-Desculpa não ter respondido sua
-Tá tudo bem.
-É que, você sabe, eu
-Eu sei.
-Isso de você saber tudo, o tempo todo, é embaraçoso. E além de tudo tem
-Ausência de reciprocidade.
-Você não deixa eu terminar uma frase e
-Eu tiro minhas próprias conclusões.
-Essa sua arrogância
-Dê o nome que quiser, não importa mais. Vai, joga.
-Eu passo.
-Foi o que eu imaginei.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

- Este quadro é de Jackson Pollock, não é?
- Sim.
- O que ele representa para você?
- Ele representa a negatividade do universo. O abominável e solitário vazio da existência. O Nada. A condição do Homem forçado a viver em uma árida eternidade desprovida de Deus, como uma breve chama piscando no imenso vácuo com nada a não ser lixo, horror e degradação, presa em uma inútil camisa-de-força em meio ao cosmo negro e absurdo.
- O que você pretende fazer sábado à noite?
- Cometer suicídio.
- Hum... E na sexta?


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PS.: No mais, saudade daquele nosso rock and roll.

sábado, 13 de novembro de 2010

Tem dia que amanhece errado, como as grandes esperanças de Dickens esquecidas num sebo qualquer.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E um amável casal que acaba de se mudar toca a campainha. Pedem um saca-rolhas, animadíssimos. Emprestei. Daí não sei porque fui me olhar no espelho e dei de cara com uma poça de requeijão nos meus lábios. É, poetando para diminuir o mico, porque tudo que me veio à cabeça foi aquela cena de Quem vai ficar com Mary? Não creio que peçam mais alguma coisa tão cedo.
Eu não sei cuidar de flores. Matei um cacto, te contei?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Você coloca no DVD Player A Tree Grows in Brooklyn, do Elia Kazan, e é presenteada com um show de uma cantorazinha pop australiana que fica repetindo nananananana. Então você o coloca na pilha onde descansam filmes com legenda apenas em chinês e outros que travam no primeiro plot point. Por sorte você tem outros do Kazan e leva de brinde o Gregory Peck que se passa por judeu por oito semanas para escrever uma matéria sobre antissemitismo. Você adormece logo após o The End e acorda com o telefone. Você me mandou um torpedo com um asterisco? Além do meu hotmail, que eu já tentei eliminar de todas as formas possíveis, estar espalhando vírus, meu celular anda espalhando asteriscos. E eu me olho no espelho e tomo um susto porque estou, legalmente, loira demais. E agora pra feira. Avante. É isso, mulher!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo.

Efraim Medina Reyes 

(N.E.: a gente se mete a escrever porque é a cara do Paulo Ricardo e não suporta isso)


Tungado do Carcarah, com exceção da infame nota do editor, que é minha.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Se você realmente me quer, vai ter que vir até mim.
Ele vai.
The End.