ele ficou olhando para a borda virada do tapete e depois olhou para a porta. pensou em comprar um exterminador elétrico de mosquitos e uma ratoeira ultrassônica. queria se chamar steve mcqueen e contar para sua vizinha sobre seus dias no cárcere. ele diria, entre, é só tomar cuidado com as armadilhas. colocaria o pé sobre a borda virada do tapete caso ainda não a tivesse ajeitado.
terça-feira, 19 de julho de 2011
sábado, 16 de julho de 2011
sexta-feira, 15 de julho de 2011
PRECEITOS BÁSICOS E AVISOS ADICIONAIS A JOVENS ESCROQUES
Jim Dodge
Não tente roubar uma vaca maior que sua caçamba.Não mostre seu rabo pra Polícia Rodoviária.
Negociatas longas com grana curta é prejuízo na certa.
Não confunda o Evangelho com a Igreja.
Nunca dedure familiares ou amigos.
Evite morar em qualquer lugar onde não dê pra mijar da porta da frente.
Só porque é simples não significa que é fácil.
Não deixe seu olho grande preencher cheques que sua barriga vazia não possa bancar.
Se você não a quer, não a provoque.
Não estacione entre dois cachorrões jogando sujo.
Qualquer um amassa tomates; o foda é fazer o molho.
Nunca se é pobre demais para deixar de prestar atenção.
Não remoa por aí suas paranóias.
Nunca durma com uma mulher que considere isso um favor.
Se for atingido por um valentão, dê-lhe a outra face.
Se rolar de novo, atire no filho da puta.
Manter é sempre duas vezes mais difícil do que conseguir.
Nunca atravesse uma cidade pequena a 120 por hora com a filhota do xerife nua na garupa.
Nunca registre o preto no branco.Se você não está confuso então não tá entendendo nada.
Amar é sempre mais difícil do que parece.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
eu apoiava a cabeça assim no teu colo e te perguntava sobre a guerra do golfo. você dizia antes as coisas eram diferentes e me contava como o marechal alemão Erwin Rommel fora detido em 1941. você fazia um teatro de sombras antes de falar apague o abajur e vamos tentar dormir. eu nunca entendi como você conseguia projetar aquela tarântula na parede, aquela que você explicava, não é tarântula é uma viúva negra. eu era uma péssima taxidermista e você pode ter confundido com desinteresse. e enquanto eu fingia que dormia você se levantava e observava a chuva pela janela. passava horas parado ali. eu devia ter te dito, vai ficar tudo bem, deita aqui comigo.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
quinta-feira, 7 de julho de 2011
baby, tô em ponto morto. você entende, não é? tô pegando só ladeira pra baixo que é pra nem pensar no aumento da gasolina ou no licor de qualquer porra de fruta tropical que resolveram misturar à vodka. lembra daquela passeata solitária que fiz no meio da sala a favor da ingestão de bebidas puras? pois é, baby, não mudei muito. ainda acordo com a cabeça estourando e juntando flashes da noite anterior. flashes. como se eu fosse uma espécie de godard, olha a merda. mas passa rápido porque inevitavelmente eu penso no renato russo e naquela baboseira de eduardo e mônica. é, eu continuo odiando legião urbana e josé saramago. e eu não vou tentar mudar nem uma coisa nem outra só porque os caras não estão mais por aqui. não quero aprender mais nada, seja real ou do além. se um dia eu precisar de alguma ação eu paro um policial na rua e peço uma revista. daí eu o processo por assédio sexual através de um desses advogados reprovados no exame da OAB. só pra ver o que não acontece. eu continuo a melhor espectadora da vida. eu assisto o mesmo telejornal duas vezes por dia e finjo não perceber que espancamentos e acidentes de trânsito têm pautas maiores na edição noturna. e que continuar te amando é pura preguiça de minha parte. é, baby, tô em ponto morto.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Preciso parar de comer demais, de ler Raymond Carver, de lembrar da tua voz, de passar debaixo de fiações cheias de pombos alimentados por grãos de milho, de rever aquele filme, de queimar meias-calças com brasa de cigarro, de lembrar da tua voz, de ouvir Crazy Heart, de armazenar números novos no celular, de organizar folhetos de pizzaria, de pedir jornais velhos ao vizinho, de lembrar da tua voz, de assistir leilões de gado na televisão, de errar a última saída da estrada, de somar números de placas de automóveis, de perder a borda solta do rolo de durex, de lembrar da tua voz, de sacar dinheiro no quinto dia útil do mês, de comprar botas em lojas virtuais, de lembrar, ainda, da tua voz.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Amanhã, dia 27, eu vou ler uns trecos meus no "Vagabundagem de Segunda", um evento poético-blueseiro (sic) que acontece na Realejo Livros, lá em Santos. E o carro-chefe é aquele carinha, o Chico Buarque. Valeu, Fabio Brum, pelo convite (mas poetisa é foda!).
PS. Em breve crônica completa sobre o evento que foi bacana pacas.
PS. Em breve crônica completa sobre o evento que foi bacana pacas.
sábado, 25 de junho de 2011
"vamos tornar as coisas mais aritméticas". ela tem essa coisa de colar recados indecifráveis na geladeira e arrastar os chinelos enquanto anda. de largar o fio dental mentolado em cima da torneira. "algo não me caiu bem". ela espera que eu diga alguma coisa que ela não vai ouvir. então ela alimenta os peixes e mastiga as beiradas da unha até sangrarem. me pede um band-aid, joga a embalagem vazia pela janela e observa o que ela chama de a cura suicida. os classificados que ela rasga destacam o leilão de uma cobertura duplex com vista para um lago que não existe mais.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Tem gente que acorda de manhã e acredita que a vida é um passeio no parque. Tem gente que faz da vida um comercial de margarina. Tem gente que acha tudo maravilhoso. Mas há aqueles que acordam amarrotados com a cara inchada, olham pro espelho e não conseguem distinguir nada no abismo dos seus olhos. Nunca passou pela minha cabeça que pudesse ser diferente.
Mário Bortolotto
terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Uma meia dúzia de coisas pra te falar, nada de muita relevância ou urgência. Pensando bem, cinco das seis coisas que eu tenho pra te falar são totalmente dispensáveis. Essa que ficou é até bonita, faria você sorrir como faz após o primeiro gole de café expresso. Você continua tomando sem açúcar, me disseram, encostado naquele canto do balcão, se escondendo atrás da estufa de pães de queijo porque aquela senhora sempre te conta a mesma história. A parte que você não gosta é quando ela te pergunta, e você, como está hoje? Você não gosta do jeito que ela fala hoje, parece a boca de um peixe recém fisgado e pra você hoje é impreciso. Como um anzol perdido na lama. Uma das cinco coisas irrelevantes que eu tinha pra te falar é que eu troquei o óleo do carro numa promoção do posto da esquina.
terça-feira, 7 de junho de 2011
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