baby, tô em ponto morto. você entende, não é? tô pegando só ladeira pra baixo que é pra nem pensar no aumento da gasolina ou no licor de qualquer porra de fruta tropical que resolveram misturar à vodka. lembra daquela passeata solitária que fiz no meio da sala a favor da ingestão de bebidas puras? pois é, baby, não mudei muito. ainda acordo com a cabeça estourando e juntando flashes da noite anterior. flashes. como se eu fosse uma espécie de godard, olha a merda. mas passa rápido porque inevitavelmente eu penso no renato russo e naquela baboseira de eduardo e mônica. é, eu continuo odiando legião urbana e josé saramago. e eu não vou tentar mudar nem uma coisa nem outra só porque os caras não estão mais por aqui. não quero aprender mais nada, seja real ou do além. se um dia eu precisar de alguma ação eu paro um policial na rua e peço uma revista. daí eu o processo por assédio sexual através de um desses advogados reprovados no exame da OAB. só pra ver o que não acontece. eu continuo a melhor espectadora da vida. eu assisto o mesmo telejornal duas vezes por dia e finjo não perceber que espancamentos e acidentes de trânsito têm pautas maiores na edição noturna. e que continuar te amando é pura preguiça de minha parte. é, baby, tô em ponto morto.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
terça-feira, 5 de julho de 2011
Preciso parar de comer demais, de ler Raymond Carver, de lembrar da tua voz, de passar debaixo de fiações cheias de pombos alimentados por grãos de milho, de rever aquele filme, de queimar meias-calças com brasa de cigarro, de lembrar da tua voz, de ouvir Crazy Heart, de armazenar números novos no celular, de organizar folhetos de pizzaria, de pedir jornais velhos ao vizinho, de lembrar da tua voz, de assistir leilões de gado na televisão, de errar a última saída da estrada, de somar números de placas de automóveis, de perder a borda solta do rolo de durex, de lembrar da tua voz, de sacar dinheiro no quinto dia útil do mês, de comprar botas em lojas virtuais, de lembrar, ainda, da tua voz.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
domingo, 26 de junho de 2011
Amanhã, dia 27, eu vou ler uns trecos meus no "Vagabundagem de Segunda", um evento poético-blueseiro (sic) que acontece na Realejo Livros, lá em Santos. E o carro-chefe é aquele carinha, o Chico Buarque. Valeu, Fabio Brum, pelo convite (mas poetisa é foda!).
PS. Em breve crônica completa sobre o evento que foi bacana pacas.
PS. Em breve crônica completa sobre o evento que foi bacana pacas.
sábado, 25 de junho de 2011
"vamos tornar as coisas mais aritméticas". ela tem essa coisa de colar recados indecifráveis na geladeira e arrastar os chinelos enquanto anda. de largar o fio dental mentolado em cima da torneira. "algo não me caiu bem". ela espera que eu diga alguma coisa que ela não vai ouvir. então ela alimenta os peixes e mastiga as beiradas da unha até sangrarem. me pede um band-aid, joga a embalagem vazia pela janela e observa o que ela chama de a cura suicida. os classificados que ela rasga destacam o leilão de uma cobertura duplex com vista para um lago que não existe mais.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Tem gente que acorda de manhã e acredita que a vida é um passeio no parque. Tem gente que faz da vida um comercial de margarina. Tem gente que acha tudo maravilhoso. Mas há aqueles que acordam amarrotados com a cara inchada, olham pro espelho e não conseguem distinguir nada no abismo dos seus olhos. Nunca passou pela minha cabeça que pudesse ser diferente.
Mário Bortolotto
terça-feira, 21 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
Uma meia dúzia de coisas pra te falar, nada de muita relevância ou urgência. Pensando bem, cinco das seis coisas que eu tenho pra te falar são totalmente dispensáveis. Essa que ficou é até bonita, faria você sorrir como faz após o primeiro gole de café expresso. Você continua tomando sem açúcar, me disseram, encostado naquele canto do balcão, se escondendo atrás da estufa de pães de queijo porque aquela senhora sempre te conta a mesma história. A parte que você não gosta é quando ela te pergunta, e você, como está hoje? Você não gosta do jeito que ela fala hoje, parece a boca de um peixe recém fisgado e pra você hoje é impreciso. Como um anzol perdido na lama. Uma das cinco coisas irrelevantes que eu tinha pra te falar é que eu troquei o óleo do carro numa promoção do posto da esquina.
terça-feira, 7 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Conheci o Eduardo há uns bons anos atrás e protagonizamos sei lá quantas infindáveis conversas. Ele é sósia do Tarantino e costuma dar aquele sorriso para atendentes do Mc Donald´s só pra ganhar molho extra. É uma mistura de Rubem Fonseca, Salinger, Philip Roth e Nelson Pereira dos Santos, e em respeito a isso eu devo admitir que quando disse a ele que "claro que entendi" Mason & Dixon do Pynchon eu menti. Ele tentou com empenho me ensinar a escrever crônicas mas meus limitados genes não permitiram. O primeiro roteiro de curta que escrevi foi baseado num romance inédito dele. O filme ficou uma bosta, ao contrário do romance e do roteiro, mas o lançamento foi num finado puteiro na Avenida Pompéia e os shows de striptease salvaram o fiasco. Enfim, saiu o livro de contos dele, Tem uma coisa sobre mim que acho justo você saber, pela KindleBookBr e eu tenho mó orgulho de ter um conto inspirado numa daquelas infindáveis conversas nossas. Está disponível na Amazon.com (versão eletrônica) e na Livraria da Travessa (versão em papel). Recomendo, assino embaixo, e até perdôo o fato dele odiar Magnólia.
terça-feira, 24 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O velho balançou a cabeça para trás e para a frente. É duro o caminho do transgressor. Deus fez este mundo, mas não o fez bom para todos, não é?
Não parece que pensava muito em mim.
Sei, disse o velho. Mas onde chega o homem com suas ideias. Que mundo já viu de que gostasse mais?
Posso imaginar muito lugar melhor e muita vida melhor.
Consegue fazer existir?
Não.
Não. Um mistério. Um homem sofre para entender sua mente porque sua mente é tudo que ele tem pra entender a mente. Pode entender o coração, mas isso não quer fazer. É o certo. Melhor nem olhar ali dentro. Não é o coração de uma criatura que pende pro caminho que Deus traçou pra ela. A baixeza é encontrada na menor das criaturas, mas quando Deus criou o homem o diabo estava bem ali do lado. Uma criatura capaz de fazer qualquer coisa. Fazer uma máquina. E uma máquina pra fazer uma máquina. E mal que pode se perpetuar sozinho por mil anos, sem ninguém para cuidar dele. Acredita nisso?
Não sei.
Pode acreditar.
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