
terça-feira, 31 de agosto de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Da série "Por que eu ainda escrevo se alguém o faz melhor e eu posso tungar dos amigos?"O Divisor - Edwin Morgan
Continuo pensando em você – o que é ridículo.
Estes anos entre nós como um mar.
E a dignidade que veio com o tempo
impediria meu lápis sobre o papel.
O som estava ligado; você pediu pelos Stones;
conseguiu, conseguiu café fresco, conversa.
As cortinas cerradas guardam uma noite selvagem.
Continuo pensando nos seus olhos, suas mãos.
Não há razão para isto, nenhuma.
Você diria que não posso ser o que não sou,
mesmo que não possa estar onde estou.
Onde isso nos leva? O que podemos fazer?
O silêncio após Jagger foi como uma capa
que eu teria jogado sobre você – havia apenas
o vento, e o relógio batia enquanto você bebia,
agarrando a caneca verde entre as mãos.
Não olhe para cima assim de repente!
Como é duro não olhar você.
Chegamos ao ponto de não falar
e não se preocupar, e aquilo
foi quase feliz. Então, mais tarde,
quando você deitou sobre o cotovelo no carpete
não senti nada além de uma punhalada
de dor me dizendo o que era,
e não posso dizer para você, nem uma palavra.
terça-feira, 24 de agosto de 2010

ESCRITÓRIO.INT.DIA
FADE OUT
sábado, 14 de agosto de 2010
Nos livros de McCarthy todo o movimento parece estar relacionado a passos, trotes de cavalos. Os diálogos são sucintos, às vezes impassíveis de uma compreensão imediata. No entanto, algo fica ressonando, ecoando, e quando você se dá conta já está totalmente tomado por um universo sem vírgulas, erguido entre silêncios. Foi sobre isso que falei na minha primeira aula do curso de roteiro. Universos. Já fiz de tudo para tentar compreendê-los. Um dos alunos deliciosamente duvidou que eu tivesse feito física na faculdade. E começamos a criar uma história, partindo de uma ilustração aparentemente estática de HQ. Estavam presentes 18 alunos (que eu já considero roteiristas, pois estava um frio de lascar), com idades de 17 a 60 anos, e de repente já havíamos criado um mundo para um protagonista que teve sua vida esmiuçada e invadida sem dó. E foi muito gratificante ter proporcionado a cada um sentir o gosto do incurável vício na ficção. Tomara que todos voltem, que outros apareçam, que comecem a enxergar o que não está exatamente visível, a ouvir o que cada boca na rua fala. Em duas horas semanais a gente vai fazer um estrago.segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Oficina de roteiro para cinema
Aulas gratuitas estimulam participantes a criarem situações para curta-metragem.
Os textos produzidos terão leitura dramática feita por atores.
Escritora e roteirista, Adriana Brunstein é a dramaturga responsável pela peça Flores de Asfalto, encenada em 2008, durante o festival Satyrianas, e por roteiros de curtas-metragens como Olhos de Fuligem, apresentado no 13º Cultura Inglesa Festival. No mesmo ano, ganhou o prêmio HQMix de melhor roteirista nacional com o álbum Prontuário 666 – Os anos de cárcere de Zé do Caixão. Adriana também colaborou no roteiro de Encarnação do Demônio, filme de José Mojica Marins.
As edições do evento são gratuitas. Vale lembrar que a entrada na BSP é feita mediante apresentação das carteirinhas de visitante ou usuário, que podem ser solicitadas na recepção.
Serviço
Inscrições na recepção da Biblioteca de São Paulo a partir de 31 de julho. Podem ser feitas inclusive no dia 10, antes do início do curso.
Oficina de roteiro cinematográfico
Dias 10, 17, 24 e 31 de agosto, às 19h
Biblioteca de São Paulo
Parque da Juventude
Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Santana – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 2089-0800
Site: www.bibliotecadesaopaulo.org.br
Blog: www.bibliotecadesaopaulo.blogspot.com
Twitter: www.twitter.com/spbiblioteca
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O cara disse que não ia demorar muito, mas pelo cano alto das botas que ele usava eu desconfiei. Três cafés e meio pão com mortadela. Uma cachaça de 1,50 e um prato de tremoços.-Você paga.
Saquei uma nota de 20 da carteira.
-Então vai ser amanhã?
-Logo cedo.
-E como eu fico sabendo que tudo correu bem?
-A gente sempre sabe quando tudo corre bem.
-Então assim que eu...
-A gente sempre sabe quando tudo corre bem.
Levantei-me e ensaiei um até logo. Ele palitava os dentes. O sol acertou minha nuca em cheio. Era pouco mais de meio dia e eu pensava em que fim levou o Minister.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Pot Talk

Madrugada.
- Meu, o Mirisola é a única pessoa no mundo que ainda usa o yahoo!
- O que você acha de "com tua lã macia e berne"?
- Berne? O verme?
- Não! É um pano vermelho.
- Sério? Eu pensei em sapinho ou coisa do gênero.
- Era produzido na Irlanda.
- Mas as pessoas vão saber isso?
- Se não souberem pelo menos fica instigada a curiosidade da busca.
- Eu não contaria com isso, ainda penso em brotoejas.
- Tá bom, vai. Deixa eu trabalhar.
- Vamos por no google?
- O que?
- A berne.
- É o berne. Substantivo masculino.
- Tá, então vamos por o berne no google?
- O google é uma merda. Abre o Houaiss online aí.
- Boa! Pronto.
- Como é que você fala Houaiss?
- Eu falo RAUAIS. Mas tem gente que fala ROUAIS. Ou RUAIS.
- Sei lá. Eu não pronuncio o H. Qual a origem desse nome?
- Bom, se ele fez um dicionário de português deve ser portuguesa, né?
- !!!!
- Ah! Coloca ele nele mesmo!
- O quê?
- Coloca Houaiss no Houaiss.
- Tá falando sério?
- Claro. Ele vai dar origem, etimologia, data, aquela coisa toda.
- Se eu colocar você fica quieta?
- Fico.
- Então tá. Coloquei.
A palavra houaiss não foi encontrada. |
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Vida na província
Chegando no museu você vira à esquerda. Segue reto. Passa por patriotas, princesas Isabeis, Marias Loucas e alguns desconhecidos Xavieres. Daí você cai na Cisplatina. Tá quase chegando. Quando chove fica tudo cheio de poça. De madrugada fica tudo vazio e os únicos sons vêm dos rojões de Heliópolis. É cheio de casinhas e algumas portas ficam entreabertas para que alienígenas como eu sejam observados. Tem uma comidinha boa na esquina e o pôr-do-sol é bacana.-Você é moradora nova?
-Não, estou na casa do meu pai.
-Ah, aquele senhor do 163?
-Não, não. Ele é do 182.
-Que bom. Você soube que a porta da garagem caiu na cabeça dele?
-Do meu pai?
-Não. Do Seu Assad do 163. Levou quinze pontos.
A porta da garagem só fica aberta por 13 segundos e não tem sensor. O Seu Assad não deveria tentar memorizar o hino nacional debaixo dela.
terça-feira, 30 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010

Sempre que eu estou longe do meu celular eu acho que ele está tocando. Aí eu saio correndo. Mas ele não tocou. Ele nunca toca. É que a obra aqui na frente faz muito barulho, tem uma sirene pro almoço. Eu sempre acho que você vai ligar enquanto aqueles caras abrem suas marmitas amassadas e chamam de mistura o que vem ao lado do arroz com feijão. Eu mudei o toque do celular, porque o que estava antes não dava pra ouvir do chuveiro. Vai ver era porque não tocava mesmo. Eu nunca entendo direito as coisas e achei que você ia ligar pra me explicar pelo menos porque... A chuva está forte hoje, e dizem que isso atrapalha o sinal. Algumas pessoas foram soterradas num bairro distante. E se você ligasse, elas também não ouviriam. Uma delas nunca acreditou que o homem pisou na lua. Jurava que foi armação do Nicho. Era assim que ela chamava o Nixon. Nicho. Como aquele seu apelido que eu nunca acertei.
sexta-feira, 12 de março de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Olimpíadas de inverno de Vancouver
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Conversa com a impressora - parte II
- É, gostei.
- Então faz o seguinte, imprima da página 78 à página 1, ou seja, imprima o arquivo na ordem inversa.
- Ok.
Brrrrrrrrrrrrrrrrr.Chuimmmmmmmmmmmmm. Spofffffffffffffffffft.
- Pronto.
- Já?
- Eu sou bem rápida.
- Cadê o meio?
- Que meio?
- Tem da página 1 à 5 e da 73 à 78. E o resto?
- Deve estar aí no meio.
- Não, não está.
- Tem certeza?
- Absoluta.
- Que estranho... Dá o comando para eu imprimir o resto então.
- Pronto.
Brrrrrrrrrrrrrrrrr.Chuimmmmmmmmmmmmm. Spofffffffffffffffffft.
- Ainda tá faltando coisa no meio.
- Não acredito.
- Muito menos eu.
- Olha, eu devo ter problemas com a ordem inversa, você pode desmarcar essa opção?
- Tá, eu desmarco. Pronto. Agora vai.
Brrrrrrrrrrrrrrrrr.Chuimmmmmmmmmmmmm. Spofffffffffffffffffft.
Glunk.
- O que foi agora?
- Acabou o papel... Que chuva, né?









