sábado, 16 de outubro de 2010


Eu não gosto daquele boteco. Mas eu gosto daquele cara. Eu nunca consegui falar explicitamente isso pra ele, mas eu arrisco uns gestos desajeitados. Creio que no fundo ele saiba e até retribua parte da minha admiração. Ele já escreveu algo sobre a vida ser essa coisa de mão dupla, newtoniana, ação e reação. Não usou exatamente essas palavras, ou não as usou nessa ordem. Não importa. Hoje eu vou falar: Escuta, eu... aí alguém vai quebrar um copo e desviar sua atenção. Talvez role uma briga na esquina.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Razão em modo off. Tentativa de recuperação através de faxina alucinada. Trilha sonora de aspirador. Simulação de lançamento em 3, 2, 1. Zero.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Bandeira 3.
Outro curta com roteiro meu e direção da Denise Vieira, responsável também por essa arte.
Dois velhinhos. Um atropelamento. O que fica na garagem. O que não tem mais tempo. E uma boa dose de humor judaico, claro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Foi daqueles sonhos estranhos que tenho. Você havia esquecido seu celular na minha casa, que era outra. Chegava uma mensagem para você, dela, não minha. Ela dizia que nunca havia sentido aquilo. Eu não conseguia ler o resto. Nos meus sonhos, eu nunca consigo usar o celular. E eu não pude te avisar porque os números eram incompletos. Mas ela parecia feliz, como que contando com algo que você havia prometido.

terça-feira, 12 de outubro de 2010


"William lá é como Severino aqui. É tudo Bill."

Da série frases que passam pela minha cabeça e eu não sei o que fazer com elas e por isso publico aqui.

Dado histórico: os Severinos de fato têm o apelido de Bill.
Dado desconhecido: a origem de tal apelido.
Dado sobre mim: sim, tenho mais o que fazer.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


Antes éramos estranhos. Agora temos fobias e nomes pra medos. Tem medo de parafuso desatarrachado, de flor murcha, de tetra-chave, de chá vencido, de tocha apagada, de mecha mal feita, de cheiro de ralo, de bucha com cabelo, de campo de bocha, de bolacha água e sal, de cacho embaraçado, de cacho de bananas, de choque térmico, de cachaça com verme, de broche de avó, de chokito gelado, de choro contido, de churro recheado, de nicho ecológico, de bicho do pé. Tem medo de listar medos que não envolvam o c ao lado do h.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010


O ontem passa voando numa folha de jornal e engole persianas num vórtice. O vento noroeste é altamente ionizado e causa irritação. A TPM dos ventos pede excesso de cautela e um incenso de Buscopan.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Uma das coisas que mais me fascina é a irreversibilidade. No nível microscópio tudo é reversível, partículas não estão lá muito preocupadas com o tempo. Mas quando se juntam e formam a matéria e consequentemente nós, tolos seres humanos, a coisa muda de figura. O vaso que caiu e quebrou jamais será um vaso novamente, no máximo será um emaranhado de cacos colados. Minha tese de doutorado foi sobre esse tema. Não vasos, irreversibilidade. Uma modesta ode a Prigogine.O que é o tempo? Não faço ideia. E embora alguns tolos seres humanos compostos de partículas que teriam melhor serventia num vaso possam destruir nosso futuro, devem lamentar profundamente a impossibilidade de apagar nosso passado.

terça-feira, 5 de outubro de 2010


Final da terça. Ótimos roteiros dos alunos, um songbook que ganhei de um deles, um episódio hilário de The Big Bang Theory que um outro levou, coincidências que acabaram com meu anonimato, uma proposta de trabalho muito bacana, impagáveis histórias do Mario José cujo casaco vermelho eu vou surrupiar, meu pai empolgadíssimo com um guia de Paris, uma história que eu tenho quase certeza que pode funcionar, outra que eu sei que não vai mudar, um e-mail de um cara que admiro muito e que me deu uma super força, a versão corrigida do jogo bugado, meus 53 kg revisitados, um Hershey´s descoberto no fundo do armário e o Tobias dormindo de pernas pro ar.

Sol. Uma pilha de louça esperando detergente. Última aula do curso de roteiro. Histórias no papel. Fila do banco. Balde de café. Terça-feira. As costas que me deram sossego. Um e-mail atrasado de aniversário. Outro me oferecendo cupom de desconto. Um jogo bugado. Um transtorno obsessivo-compulsivo por frases curtas. Uma oração que ainda não terminei. Desordem guiada pela entropia. Quadrado mnemônico. Absolutamente tudo e quase nada. Salinger. Um dia perfeito para peixes-banana.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010


Não é que eu sei muita coisa. É que eu me isolei por tempo demais preenchendo minhas estantes e minha cabeceira com física e literatura, aquecendo meu DVD player com incontáveis filmes. É que eu tenho Complexo de Salinger, de Pynchon, sei lá. É que eu tenho um medo filho da puta da vida lá fora. Então, quando você vier, coloca Lou Reed na vitrola.

sábado, 2 de outubro de 2010


é que eu meti os pés pelas mãos
você sabe
eu fui lá longe pra te ver
com os diálogos de Rohmer na bolsa
e uma ridícula dose de coragem engarrafada
mas parece que tudo evapora
quando a engenharia falha
e o serviço de atendimento ao consumidor
diz que você perdeu o prazo de troca

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O bom de não se saber nada sobre alguém é que você o inventa. Você o define e logo depois se contradiz. Todos os parâmetros do mundo estão ao seu dispor para que você monte suas equações e as eleve ao grau que quiser. Mas se a realidade te basta você não precisa de nada disso. Você acorda de manhã e faz uma prece para o santo que inventou a borracha.
       
(de Lucius, quer dizer, daquele livro meu lá)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Uma dor nas costas de lascar ontem. Claro que não tive coragem de assistir Atividade Paranormal porque eu não estava podendo com sobressaltos. Enfim, acabei assistindo Cemetery Junction (aqui tem o nome besta de Caindo no Mundo), um filme inglês de Ricky Gervais e Stephen Merchant. A história se passa em 1973 e é aquela coisa do maldito final de adolescência que nos pega desprevenidos sem dar indícios do que fazer em seguida. E, honestamente, ainda peno com esse em seguida. Mas o filme vale, tem diálogos ótimos e aquele roteiro clássico, sem furos, que não decepciona e causa aquele sorrisinho na alma. Como escreveu Murilo Mendes, nascer é muito comprido. E, cá entre nós, eu faria o remake de The Graduate com esse rapazinho do meio. Call me Anne Bancroft.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Isso é da minha dissertação de mestrado. Daquele tempo em que eu queria de fato entender as coisas. O curioso é que tanto o conhecimento que adquiri quanto o que decidi ignorar estão lá, nas 90 páginas do livro que escrevi. Como se algum Lucius o tivesse me ditado com a intenção de me apontar com clareza certas coisas da vida real. Porque a vida real está em extinção. Porque a mentira pode ser, patologicamente, o que ela quiser.

terça-feira, 28 de setembro de 2010


Acabo de comprar esse filme e estou me borrando de medo de assistir. Tem essa coisa de Não assista sozinho. E eu acredito nessa coisa de Não assista sozinho. E um aluno do meu curso inventou uma história que envolvia paçoquinha Amor e minhocas do mal. Pensando bem, tem uma coleção inteira dos Irmãos Marx aqui que nunca saiu flutuando.
Não há dúvida de que o Além existe. O problema é saber a quantos quilômetros fica do centro da cidade e até que horas fica aberto.
           Woody Allen.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Hoje o Tobias foi promovido a Black Label. 12 anos. Tem amor que não acaba com o tempo. E, em tempo, eu acabo de ganhar, proporcionalmente aos meus ínfimos gastos, um fantástico descascador de batatas em inox da American Express. Minha vida jamais será a mesma. (viu, Marcos? Tempos de mudança!)

domingo, 26 de setembro de 2010

Go, get the butter


Porque sempre existe a probabilidade de alguém estar fazendo alguma coisa no domingo. Mesmo que seja em Paris.

sábado, 25 de setembro de 2010




Lançamento oficial da campanha Deixa o Texugo.
Porque se você encarar uma insana e imensa feijoada na rua do Boticário, isso vai fazer todo o sentido do mundo. Incluindo os sons que o Seu Luís emite. É o garçom, não o texugo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Confissões de uma mente perigosa.
Eu quero entrar na cabeça de alguém que eu admiro muito, só pra ver como é que é, como em Quero ser John Malkovich.
Eu quero ter uma esquizofrenia, me dividir em duas, como em Adaptação, para que uma metade faça pelo menos ideia do que é a outra.
Eu quero me confundir com meus personagens, como em Sinédoque Nova York, porque às vezes eles são incompreensíveis.
Eu quero apagar definitivamente algumas pessoas da minha cabeça, sem deixar resquícios, como em Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
E eu preciso urgentemente de análise porque morro de inveja do Charlie Kaufman.