Uns sintomas físicos estranhos, órgãos inomináveis em rebelião interna, neurônios fora de ressonância, coceira em movimento browniano, percolação direcionada de brotoejas, batimentos cardíacos em efeito Doppler, difusão de Bohm dos sentidos. Abstinência de House.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Haas gostava de sentar no chão, encostado na parede, na parte sombreada do pátio. E gostava de pensar. Gostava de pensar que deus não existia. Uns três minutos, no mínimo. Também gostava de pensar na insignificância dos seres humanos. Cinco minutos. Se não existisse a dor, pensava, seríamos perfeitos. Insignificantes e alheios à dor. Perfeitos, caralho. Mas lá estava a dor para foder com tudo. Por fim pensava no luxo. O luxo de ter memória, o luxo de saber um idioma ou vários idiomas, o luxo de pensar e não sair correndo.
2666. Roberto Bolaño.
2666. Roberto Bolaño.
sábado, 16 de outubro de 2010
Eu não gosto daquele boteco. Mas eu gosto daquele cara. Eu nunca consegui falar explicitamente isso pra ele, mas eu arrisco uns gestos desajeitados. Creio que no fundo ele saiba e até retribua parte da minha admiração. Ele já escreveu algo sobre a vida ser essa coisa de mão dupla, newtoniana, ação e reação. Não usou exatamente essas palavras, ou não as usou nessa ordem. Não importa. Hoje eu vou falar: Escuta, eu... aí alguém vai quebrar um copo e desviar sua atenção. Talvez role uma briga na esquina.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Foi daqueles sonhos estranhos que tenho. Você havia esquecido seu celular na minha casa, que era outra. Chegava uma mensagem para você, dela, não minha. Ela dizia que nunca havia sentido aquilo. Eu não conseguia ler o resto. Nos meus sonhos, eu nunca consigo usar o celular. E eu não pude te avisar porque os números eram incompletos. Mas ela parecia feliz, como que contando com algo que você havia prometido.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
"William lá é como Severino aqui. É tudo Bill."
Da série frases que passam pela minha cabeça e eu não sei o que fazer com elas e por isso publico aqui.
Dado histórico: os Severinos de fato têm o apelido de Bill.
Dado desconhecido: a origem de tal apelido.
Dado sobre mim: sim, tenho mais o que fazer.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Antes éramos estranhos. Agora temos fobias e nomes pra medos. Tem medo de parafuso desatarrachado, de flor murcha, de tetra-chave, de chá vencido, de tocha apagada, de mecha mal feita, de cheiro de ralo, de bucha com cabelo, de campo de bocha, de bolacha água e sal, de cacho embaraçado, de cacho de bananas, de choque térmico, de cachaça com verme, de broche de avó, de chokito gelado, de choro contido, de churro recheado, de nicho ecológico, de bicho do pé. Tem medo de listar medos que não envolvam o c ao lado do h.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Uma das coisas que mais me fascina é a irreversibilidade. No nível microscópio tudo é reversível, partículas não estão lá muito preocupadas com o tempo. Mas quando se juntam e formam a matéria e consequentemente nós, tolos seres humanos, a coisa muda de figura. O vaso que caiu e quebrou jamais será um vaso novamente, no máximo será um emaranhado de cacos colados. Minha tese de doutorado foi sobre esse tema. Não vasos, irreversibilidade. Uma modesta ode a Prigogine.O que é o tempo? Não faço ideia. E embora alguns tolos seres humanos compostos de partículas que teriam melhor serventia num vaso possam destruir nosso futuro, devem lamentar profundamente a impossibilidade de apagar nosso passado.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Final da terça. Ótimos roteiros dos alunos, um songbook que ganhei de um deles, um episódio hilário de The Big Bang Theory que um outro levou, coincidências que acabaram com meu anonimato, uma proposta de trabalho muito bacana, impagáveis histórias do Mario José cujo casaco vermelho eu vou surrupiar, meu pai empolgadíssimo com um guia de Paris, uma história que eu tenho quase certeza que pode funcionar, outra que eu sei que não vai mudar, um e-mail de um cara que admiro muito e que me deu uma super força, a versão corrigida do jogo bugado, meus 53 kg revisitados, um Hershey´s descoberto no fundo do armário e o Tobias dormindo de pernas pro ar.
Sol. Uma pilha de louça esperando detergente. Última aula do curso de roteiro. Histórias no papel. Fila do banco. Balde de café. Terça-feira. As costas que me deram sossego. Um e-mail atrasado de aniversário. Outro me oferecendo cupom de desconto. Um jogo bugado. Um transtorno obsessivo-compulsivo por frases curtas. Uma oração que ainda não terminei. Desordem guiada pela entropia. Quadrado mnemônico. Absolutamente tudo e quase nada. Salinger. Um dia perfeito para peixes-banana.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Não é que eu sei muita coisa. É que eu me isolei por tempo demais preenchendo minhas estantes e minha cabeceira com física e literatura, aquecendo meu DVD player com incontáveis filmes. É que eu tenho Complexo de Salinger, de Pynchon, sei lá. É que eu tenho um medo filho da puta da vida lá fora. Então, quando você vier, coloca Lou Reed na vitrola.
sábado, 2 de outubro de 2010
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
O bom de não se saber nada sobre alguém é que você o inventa. Você o define e logo depois se contradiz. Todos os parâmetros do mundo estão ao seu dispor para que você monte suas equações e as eleve ao grau que quiser. Mas se a realidade te basta você não precisa de nada disso. Você acorda de manhã e faz uma prece para o santo que inventou a borracha.
(de Lucius, quer dizer, daquele livro meu lá)
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Uma dor nas costas de lascar ontem. Claro que não tive coragem de assistir Atividade Paranormal porque eu não estava podendo com sobressaltos. Enfim, acabei assistindo Cemetery Junction (aqui tem o nome besta de Caindo no Mundo), um filme inglês de Ricky Gervais e Stephen Merchant. A história se passa em 1973 e é aquela coisa do maldito final de adolescência que nos pega desprevenidos sem dar indícios do que fazer em seguida. E, honestamente, ainda peno com esse em seguida. Mas o filme vale, tem diálogos ótimos e aquele roteiro clássico, sem furos, que não decepciona e causa aquele sorrisinho na alma. Como escreveu Murilo Mendes, nascer é muito comprido. E, cá entre nós, eu faria o remake de The Graduate com esse rapazinho do meio. Call me Anne Bancroft.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Isso é da minha dissertação de mestrado. Daquele tempo em que eu queria de fato entender as coisas. O curioso é que tanto o conhecimento que adquiri quanto o que decidi ignorar estão lá, nas 90 páginas do livro que escrevi. Como se algum Lucius o tivesse me ditado com a intenção de me apontar com clareza certas coisas da vida real. Porque a vida real está em extinção. Porque a mentira pode ser, patologicamente, o que ela quiser.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Acabo de comprar esse filme e estou me borrando de medo de assistir. Tem essa coisa de Não assista sozinho. E eu acredito nessa coisa de Não assista sozinho. E um aluno do meu curso inventou uma história que envolvia paçoquinha Amor e minhocas do mal. Pensando bem, tem uma coleção inteira dos Irmãos Marx aqui que nunca saiu flutuando.
Não há dúvida de que o Além existe. O problema é saber a quantos quilômetros fica do centro da cidade e até que horas fica aberto.Woody Allen.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
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