quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

- E é meio isso, como se a vida para mim estivesse sempre restrita, cheia de parâmetros imutáveis que bailam numa matemática própria, como dedilhar Schubert quando quem rege é Bartok. Nesse caso Bartok é a matemática, um loop infinito de Gödel que me mantém num ciclo esquisito, a mussurana engolindo a cascavel e parando para pensar, num único instante, que elas são o mesmo animal, entende?
- Não.
- Ok.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Meta número 1 para 2011: Postar uma foto do Woody Allen vestido de espermatozoide e gritar Agora vai, porra!
Cumprida.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

“Sou ótimo para duas coisas: catar pulgas e perder aquilo que amo.”
“Por que você troca constantemente de mulher?
A maioria das fulanas com quem saio são apresentadoras de televisão e ninguém, a menos que seja um retardado, suportaria estar com elas mais de dez minutos seguidos.”
“O que lhe desagrada nos grandes escritores deste século?
Que, com exceção de Bukowski e um servidor, todos escreveram para o século passado. A literatura lhes interessava mais do que a vida.”
“Hoje qualquer um é chamado de artista. Um mico de telenovela, uma bichinha de museu, uma puta de revista. Qualquer um que grite pode ser chamado de artista. Conheci pessoas por aí sem ofício algum e no entanto cheias de uma vitalidade extraordinária, para mim são artistas. Note-se que um escritor famoso com o tempo pode degenerar em múmia de eventos sociais ou num babaca de televisão. Já o artista não tem opção, é um fracasso à prova de eternidades.
“Um ator, cantor etc. podem ser chamados de artistas sim, mas no mesmo sentido que uma merda de cachorro também poderia.”
“Os gatos são criaturas sóbrias que na medida do possível procuram esconder a merda. Nós ao contrário abrimos livrarias, museus, cinemas e todo tipo de lugares para mostrá-la.”
“A palavra, por ser um elemento cotidiano, nos parece penetrável. E isso é um engano, a palavra é mais hermética do que a física moderna, a palavra é uma armadilha mortal.”
 Efraim Medina Reyes, no livro Era uma vez o amor mas tive que matá-lo.

Tungado do Pinduca.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Uma necessidade urgente de te ouvir sussurrar meu nome em rotações de vinil. Daquele jeito riscado que só você consegue.
-Sabe como é, né? Resoluções de fim de ano e tal.
-Sei. Esperança besta de mudança.
-Por aí.
-E você ainda perde tempo com isso?
-Pouco. Listo umas duas coisinhas e pronto.
-E quais são?
-O que?
-As duas coisinhas.
-Nada demais. As mesmas do ano passado.
-Vai insistir?
-Caprichei um pouco mais na intensidade.
-Sei, pressionou um pouco mais a caneta.
-Nada. Negrito no word.
-Hum.
-Quem sabe, né?
-É. Quem sabe.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Preciso com urgência de alguém que goste de cachorros, com CNH em dia, para conduzir o comprovadamente não emissor de gases tóxicos Cabeção até a praia, porque ultimamente até minha existência está ilegal. Inclusos no pacote a hospedagem, a ceia de natal e um pião de Chanukah vintage.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Gabriela Santee tinha 17 anos de idade e estava grávida de três meses quando se casou com Johnny "Sônico" Makhurst, piloto de testes da Boeing e herdeiro recente de modesta fortuna proveniente de uma casa de ferragens em Ohio. A cerimônia se deu em um hangar todo enfeitado de papel crepom, no campo de aviação Moffit, e foi testemunhada por vários amigos bêbados de Johnny "Sônico". Noiva e noivo trocaram votos em pé, na asa de um jato de combate X-77. Dois meses antes de Gabriela dar à luz, essa mesma asa despencou do avião, a 800 milhas por hora, sobre o deserto de Mojave, com Johnny "Sônico" nos controles. Após amarga querela na justiça com uma das ex-esposas do finado marido, Gabriela herdou sua propriedade.
Em 7 de março de 1958, nove dias antes do terceiro aniversário de Johnathan Adler Makhurst II, Gabriela o levou à represa Plomona para pescar bluegill e fazer um piquenique. Uma chuva repentina varreu o lago pouco antes do meio-dia; despachou os dois, correndo, de volta para o carro. Juntos, no assento da frente, partilharam seu lanche favorito: cachorro-quente, picles, batatas fritas e soda limonada. Quando acabaram de comer, aconchegaram-se no assento da frente e ficaram olhando a chuva cair, persistente, no lago.
-Você acha que vai parar, Johnny, ou devemos desistir? - perguntou Gabriela, mas Johnny tinha adormecido.

(Ganhei esse livro de um aluno no último dia de aula. O prefácio é do Marçal Aquino que diz que Fup, em lugar de leitores, conquista devotos. Fiquei com a impressão de Nunca te li, sempre te plagiei.)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

-Mundinho besta esse, não?
-Se é.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

E vamos passando recibo porque era uma vez a etiqueta mas tivemos que eliminá-la.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E o próximo episódio de Jarb-Ass será rodado em Galápagos, onde 57 dragões de Komodo se voluntariaram para fazer figuração levantando a falange indicadora e gritando Uuuuuuuuuuhhh. Nessa mesma ilha perdida em algum canto do Pará está a sede da clínica Darwin de evolução, que conta com ampla estrutura patrocinada pelo Mercado Livre e coíbe  veementemente a presença de vampiros com glitter e qualquer menção ao assunto projetos. No mais, a diretoria torce para que todos estejam bem de tártaro.

sábado, 4 de dezembro de 2010


Tem dias que deveriam ser imortalizados em Blu-Ray ou qualquer merda dessas às quais eu não tenho acesso mas que garantem uma imagem perfeita. Só para arquivo, para uma despretensiosa posteridade, numa embalagem plástica como as que você encontra na Santa Efigênia por poucos centavos. Porque te fazer rir e ver tua empolgação com as páginas que te entreguei tem que ser simples assim. Como sacar um filme da estante e repetir a cena onde o vazio do compartimento para cartão de crédito não tem a menor importância.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

It's seven in the morning. Somebody better be dead.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu ria pacas com esse cara.

terça-feira, 23 de novembro de 2010


Às vezes eu tenho vontade de te ligar para falar umas coisas bobas. Falar que você pode se cadastrar na promoção do celular e pagar apenas 25 centavos na ligação. Falar para você não ser distraído como eu e deixar um tubo de sapólio ao lado do de shampoo porque o cabelo fica uma merda. Falar que o ralo da banheira tá entupido e entalado e que jogar óleo de cozinha não adianta. Falar também que a reforma do prédio ao lado começa cedo e a britadeira me acorda. Que na sexta-feira eu estava na TPM e fiquei com um nó na garganta na fila do Bradesco, só porque o cara à minha frente usava um perfume barato que me deprimiu. Que eu achei que 22 reais não dariam pra pagar o último táxi que peguei e isso me agoniava na frequência de mudança do taxímetro. Eu fiquei devendo quarenta centavos, queria te falar isso também. Que eu me divirto quando sai quebra pau no site de discussão de jogos. Que as batatas que eu comprei acabaram brotando e que lançaram por tempo limitado um Hershey´s aerado. Que eu sou incapaz de organizar meus filmes e por isso os escolho ao acaso. Que eu estou relendo os 64 contos do Rubem Fonseca porque histórias longas têm me feito dispersar. Que eu matei um pernilongo de madrugada, na primeira tentativa, mas não achei seu corpo.  Tenho vontade de te ligar só pra te dizer, ouvindo teu difícil sorriso do outro lado da linha, que, às vezes, é simples assim.

domingo, 21 de novembro de 2010


-Pai, essa camisa tá muito apertada.
-Mas eu comprei na Zara.
-Tá, mas não ficou legal.
-Bom, na próxima vez compro no Zacó.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010


Vou lá prestigiar o, segundo Mirisola, "crássico". Com a bênção do texto do Márcio Américo e os impagáveis Batata e Wiltão.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

-Paixão antiga sempre mexe com a gente
-Ah, não, Tim. Já não bastou o Erasmo agora vem você?
-É tão difícil esquecer
-Se é, meu caro. E não tô acreditando que você apareceu
-Basta um encontro por acaso e pronto
-Acaso nada, eu sei onde ele vai
-Começa tudo outra vez
-Não é bem assim, eu me faço de difícil
-E vendo você
-Palpita tudo, né?
-O coração parece que vai saltar
-Tá, saltar, palpitar, dá na mesma
-Pelo meu corpo saudade em todo lugar
-Nem me fala, uns lugares que nem nome científico têm
-E eu, sem disfarçar, te como com meu olhar
-Cara, eu emagreci pacas, vai ver que é essa coisa de comer com o olhar
-Foi bom demais, não tinha que acabar
-O único amor que dura é o não correspondido
-Meu bem, quando eu te vi, tudo voltou
-Já não disse que sei onde ele vai? É óbvio que vai me ver.
-E eu compreendi
-Taí nossa diferença
-Que eu te amo, quero, adoro sempre mais
-Pensando bem, somos bem parecidos
-Deixa o coração te seduzir
-Tenho arritmia. É sério.
-Não dá mais pra disfarçar
-Não dá mesmo, eu fico vermelha
-Deixa o sentimento decidir
-Desde quando sentimento decide alguma coisa?
-Já é hora de voltar
-É... Pra realidade... Peraí, volta, me dê os motivos de tudo isso. Amor não dura sete mares? Porra, Tim...
Agora é isso. Não posso assistir filme noir que me apaixono irremediavelmente pelo protagonista de tiradas sarcásticas e simulado desprezo por mulheres fatais. Bola da vez: Alan Ladd do alto de seus 1,65 m em A Chave de Vidro, adaptação do romance homônimo de Dashiell Hammett. Ligando agora pro chaveiro. Oi, aqui é Veronica Lake e a coisa é urgente.
-Desculpa não ter respondido sua
-Tá tudo bem.
-É que, você sabe, eu
-Eu sei.
-Isso de você saber tudo, o tempo todo, é embaraçoso. E além de tudo tem
-Ausência de reciprocidade.
-Você não deixa eu terminar uma frase e
-Eu tiro minhas próprias conclusões.
-Essa sua arrogância
-Dê o nome que quiser, não importa mais. Vai, joga.
-Eu passo.
-Foi o que eu imaginei.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

- Este quadro é de Jackson Pollock, não é?
- Sim.
- O que ele representa para você?
- Ele representa a negatividade do universo. O abominável e solitário vazio da existência. O Nada. A condição do Homem forçado a viver em uma árida eternidade desprovida de Deus, como uma breve chama piscando no imenso vácuo com nada a não ser lixo, horror e degradação, presa em uma inútil camisa-de-força em meio ao cosmo negro e absurdo.
- O que você pretende fazer sábado à noite?
- Cometer suicídio.
- Hum... E na sexta?