domingo, 26 de setembro de 2010
Go, get the butter
Porque sempre existe a probabilidade de alguém estar fazendo alguma coisa no domingo. Mesmo que seja em Paris.
sábado, 25 de setembro de 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Confissões de uma mente perigosa.Eu quero entrar na cabeça de alguém que eu admiro muito, só pra ver como é que é, como em Quero ser John Malkovich.
Eu quero me confundir com meus personagens, como em Sinédoque Nova York, porque às vezes eles são incompreensíveis.
Eu quero apagar definitivamente algumas pessoas da minha cabeça, sem deixar resquícios, como em Brilho eterno de uma mente sem lembranças.
E eu preciso urgentemente de análise porque morro de inveja do Charlie Kaufman.

Annie Hall. Woody Allen.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Uma vez fui fazer um curso de Evolução Molecular no Marine Biological Laboratory em Woods Hole, uma pequena cidade ao norte de Massachusetts. O cronograma era insano, tivemos apenas um dia de folga no qual fomos até Marhta´s Vineyard, a ilha onde John John Kennedy caiu com seu avião. Alugamos bicicletas para conhecer a ilha e eu, conhecendo minha falta de genes para esportes, pressenti que algo não sairia bem. Eu nunca havia utilizado uma bicicleta com marchas, e elas eram dezesseis. Partimos. Eu intercalava as marchas de forma a passar quanticamente do slow motion ao absolutely fast, coisa que nem Chaplin conseguiria. Segui o grupo por algum tempo mas depois fui ficando para trás. Minhas pernas entraram em colapso quando meu cérebro ordenou a cada uma delas uma diferente frequência de rotação. O grupo foi virando um ponto no horizonte e desapareceu. Claro que eu não tinha um mapa e claro que ninguém se importava em parar de fazer cooper ou pedalar para me dar informação. Pedalei, pedalei, pedalei. Fiz uma pausa, exausta, na porta da garagem de uma das mansões e um carro saiu. Teve que parar para não me atropelar.
- Dear sir, for god sake, where is the ferry?
Ele me indicou, mas se esqueceu de falar que havia mais de um porto de balsas por lá. Lá fui eu em direção à balsa errada. Estava um sol de lascar e eu já estava roxa. Pensava na multa que iria pagar pelo atraso na devolução do biciclo. Depois pensei que Dri Dri Brunstein também iria morrer ali. Foi então que uma menina loira, em sua própria bicicleta, passou por mim, parou e voltou.
- Are you ok?
- No, I´m not ok, I´m lost.
- Yes, I know. That´s why I´m here.
- What do you mean?
- Don´t you believe in angels?
Ela de fato parecia um anjo. Disse-me que a função dela era essa, ajudar pessoas. Fez com que eu me refrescasse num daqueles jatos regadores de jardim e depois me levou até a casa de uma senhora, me deu água, suco. Pegou minha bicicleta e a colocou no porta-malas de uma pick-up. Levou-me de volta à balsa certa onde os alunos e policiais analisavam minha ficha de desaparecimento. Isso levou horas, meus caros, foi a travessia de McCarthy. A menina desapareceu. Voltamos para Woods Hole e eu devo ter hibernado tentando interpretar tudo aquilo sob meu ponto de vista científico. Não consegui. Na manhã seguinte, quando entrei na classe exalando Gelol, alguém havia desenhado na lousa um mapa com uma garotinha de cabelos enrolados numa bicicleta e os dizeres:
- Where on Martha´s Vineyard is Adriana?
Foi assim que eu ganhei o Wally Award.
Tem coisas que simplesmente acontecem.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Eu quero que você vá embora daqui. Eu vou vender a loja para o supermercado e lhe darei uma parte do dinheiro da venda. Não. Não precisa dizer nada, querido Wilhelm. Espere até não aguentar mais. E não perca a sua inquietude e a sua melancolia. Vai precisar delas se quiser escrever. De agora em diante só viverei dias lindos. Eu vou fumar quando andar na praça. Eu vou beber o meu martini à tarde no Heider Hof, enquanto leio suas cartas. "Com gelo, por favor", direi quando pedir o martini.Movimento em Falso. Wim Wenders.
domingo, 12 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010

- Eu fiz um feijão com paio, quer?
- Só paio?
- Poxa, pai, pra mim já é uma grande coisa. Você não criou exatamente uma Ofélia.
- Ah, não sei... não tem algum lugar aqui perto pra comer?
- Tem um bar na esquina. A comida é boa e vem bastante. O Tobias pode ir junto.
- Então vamos lá. Me lembra de chamar o Expedito pra arrumar esse fio aqui.
Folheia cardápio vai volta lê relê.
- Moça, eu vou querer esse primeiro prato, mas fala pro cozinheiro que eu não gosto de carne nervosa.
- Como é que é?
- Ele quis dizer que não gosta dos nervos da carne.
- Ah tá.
O Tobias ficou com os 3 ou 4 nervos que ele separou.
- Sabe o que eu queria agora?
- O quê, pai?
- Um cheesecake. Há anos não como um decente.
- Bom, tem lá no Havanna. Vamos?
- Mas não é daqueles massudos, é?
- Sei lá, sei que o doce de leite de lá é divino.
- Mas eu vou querer o meu com calda de framboesa.
No caminho encontramos, eu e seu Simão, Jordão e Wiltão.
- Segura o Tobias aí que eu já volto.
O segurança se aproxima, alguns clientes do shopping se sentiram ameaçados pelo Tobias. Um salsicha.
- Pai, não tinha framboesa mas tinha amora. Tó.
- Hum... É massudo. Eu bem que desconfiei. Uma porcaria.
- Pai...
- Sim?
- Você não existe.
E eu não sei porquê acabei me lembrando da história do tio Cleuso do Nelsinho Peres e sua incansável briga com a lista telefônica.
sábado, 4 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010

- Sei que você fez os seus castelos...
- Erasmo?
- Sim?
- Na boa, dá pra você não cantar isso agora?
- Não posso evitar. E sonhou ser salva do dragão...
- Por favor.
- Desilusão, meu bem, quando acordou estava sem ninguém...
- Olha, acordar pra mim já é uma coisa bem difícil.
- Sozinha no silêncio do seu quarto...
- É bem por aí.
- Procura a espada do seu salvador...
- Nem Dali.
- Que no sonho se desespera...
- Ando tendo pesadelos.
- Jamais vai poder livrar você da fera...
- Eu vou aprender a rezar. Prometo.
- Da solidão...
- Eu rezo em hebraico se você quiser!
- Me dê a mão...
- Vai me levar pra onde?
- Filosofia é poesia é o que dizia minha vó...
- Sem ditados, vai.
- Antes mal acompanhada do que só...
- Você não está nem um pouco preocupado com o que eu preciso.
- Você precisa de um homem pra chamar de seu...
- Pretensão sua.
- Mesmo que esse homem...
- Vai desaparecer bem agora? Eu ainda não terminei. Você ainda não terminou. E aquela coisa de secar meu pranto? Volta, vai. Canta aquela que diz que eu sou sua superstar...
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Da série "Por que eu ainda escrevo se alguém o faz melhor e eu posso tungar dos amigos?"O Divisor - Edwin Morgan
Continuo pensando em você – o que é ridículo.
Estes anos entre nós como um mar.
E a dignidade que veio com o tempo
impediria meu lápis sobre o papel.
O som estava ligado; você pediu pelos Stones;
conseguiu, conseguiu café fresco, conversa.
As cortinas cerradas guardam uma noite selvagem.
Continuo pensando nos seus olhos, suas mãos.
Não há razão para isto, nenhuma.
Você diria que não posso ser o que não sou,
mesmo que não possa estar onde estou.
Onde isso nos leva? O que podemos fazer?
O silêncio após Jagger foi como uma capa
que eu teria jogado sobre você – havia apenas
o vento, e o relógio batia enquanto você bebia,
agarrando a caneca verde entre as mãos.
Não olhe para cima assim de repente!
Como é duro não olhar você.
Chegamos ao ponto de não falar
e não se preocupar, e aquilo
foi quase feliz. Então, mais tarde,
quando você deitou sobre o cotovelo no carpete
não senti nada além de uma punhalada
de dor me dizendo o que era,
e não posso dizer para você, nem uma palavra.
terça-feira, 24 de agosto de 2010

ESCRITÓRIO.INT.DIA
FADE OUT
sábado, 14 de agosto de 2010
Nos livros de McCarthy todo o movimento parece estar relacionado a passos, trotes de cavalos. Os diálogos são sucintos, às vezes impassíveis de uma compreensão imediata. No entanto, algo fica ressonando, ecoando, e quando você se dá conta já está totalmente tomado por um universo sem vírgulas, erguido entre silêncios. Foi sobre isso que falei na minha primeira aula do curso de roteiro. Universos. Já fiz de tudo para tentar compreendê-los. Um dos alunos deliciosamente duvidou que eu tivesse feito física na faculdade. E começamos a criar uma história, partindo de uma ilustração aparentemente estática de HQ. Estavam presentes 18 alunos (que eu já considero roteiristas, pois estava um frio de lascar), com idades de 17 a 60 anos, e de repente já havíamos criado um mundo para um protagonista que teve sua vida esmiuçada e invadida sem dó. E foi muito gratificante ter proporcionado a cada um sentir o gosto do incurável vício na ficção. Tomara que todos voltem, que outros apareçam, que comecem a enxergar o que não está exatamente visível, a ouvir o que cada boca na rua fala. Em duas horas semanais a gente vai fazer um estrago.segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Oficina de roteiro para cinema
Aulas gratuitas estimulam participantes a criarem situações para curta-metragem.
Os textos produzidos terão leitura dramática feita por atores.
Escritora e roteirista, Adriana Brunstein é a dramaturga responsável pela peça Flores de Asfalto, encenada em 2008, durante o festival Satyrianas, e por roteiros de curtas-metragens como Olhos de Fuligem, apresentado no 13º Cultura Inglesa Festival. No mesmo ano, ganhou o prêmio HQMix de melhor roteirista nacional com o álbum Prontuário 666 – Os anos de cárcere de Zé do Caixão. Adriana também colaborou no roteiro de Encarnação do Demônio, filme de José Mojica Marins.
As edições do evento são gratuitas. Vale lembrar que a entrada na BSP é feita mediante apresentação das carteirinhas de visitante ou usuário, que podem ser solicitadas na recepção.
Serviço
Inscrições na recepção da Biblioteca de São Paulo a partir de 31 de julho. Podem ser feitas inclusive no dia 10, antes do início do curso.
Oficina de roteiro cinematográfico
Dias 10, 17, 24 e 31 de agosto, às 19h
Biblioteca de São Paulo
Parque da Juventude
Av. Cruzeiro do Sul, 2630 – Santana – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 2089-0800
Site: www.bibliotecadesaopaulo.org.br
Blog: www.bibliotecadesaopaulo.blogspot.com
Twitter: www.twitter.com/spbiblioteca









