sexta-feira, 18 de maio de 2012
balanço
aquisições
um pato de borracha pra banheira
uma jarra de suco em forma de abacaxi
uma semana de tosse ininterrupta
intenções e/ou pretensões
rever a cena de freddy krueger falando welcome to prime time, bitch
hackear o computador da bettie page
um porre na escócia pra me escorar na estátua de edwin morgan
segunda-feira, 14 de maio de 2012
ontem eu dei de cara com o steven seagal. não foi nada premeditado, eu só tava tentando colocar algumas coisas no lugar, parear umas meias e dar uma arejada no quarto. foi aí que ele entrou. veja que toda premeditação foi por parte dele. é impressionantemente contraditória a nossa falta de ação quando dá de cara com o steven seagal. eu nunca fui lá muito fã do cara, a única coisa que dediquei a ele nesse tempo foi a tecla de canais do controle remoto. perguntei como havia sido a temporada dele no japão e como ele tinha se safado daquele processo por ter matado um cachorro num reality show. ele ficou bem puto nessa hora. quer dizer, eu acho que ficou. a cara dele não mudou muito. mas ter bom senso em conversas improvisadas nunca foi meu forte. aí fui comentar a última luta daquele programa do belfort, um tal de bodão ganhou. e eu dizia: big goat, man. aí a coisa fedeu de vez. reality show definitivamente é assunto proibitivo quando você dá de cara com o steven seagal. pedi água. bati três vezes a mão no chão e ele me olhou com desprezo quando disse, volta a sonhar, garota. e saiu. pela mesma janela que entrou. quando o perdi de vista gritei: sabe como é gaivota em inglês? é seagull. panaca.
domingo, 13 de maio de 2012
sábado, 12 de maio de 2012
sabe quando você começa a chamar saco preto de cachorro morto porque tudo o que você quer é perder a capacidade de discernimento? você tenta se lembrar do que escreveu naquela redação de vestibular cujo tema era aquela maldita legenda "isso não é um cachimbo" escrita em letras garrafais embaixo do desenho de um cachimbo. tudo em vão, não é? você só sabe que se levantou e calçou suas havaianas pra não derrapar nos tacos recém encerados. aí mandou um café pelando pra queimar sua goela e abafar aquela vontade de gritar. de berrar qualquer coisa em mu bemol na fila do abate. e por mais que você folheie as páginas da sua agenda de telefones, é na atendente dum sac qualquer que você vai encontrar algum consolo. quando ela te disser que se chama soraia e que aquele shampoo vai recuperar noventa e oito por cento dos seus cabelos. soraia. tinha que ser soraia. justo aquela que o mala do zeca baleiro queria ver queimada. a vida é foda, né, brother?
sexta-feira, 11 de maio de 2012
hai-pá-tuá
seu terceiro conselho
foi esse, enfim
se enforque com uma fita
do senhor do bonfim
hai-cof
ela fugiu
com um cara do bope
deixou um bilhete
toma essa, seu xarope
hai-kaio
se você soubesse, baby
que tua falta de lei
me derrubou mais
que uppercut do cassius clay
hai-jeans
aquela vadia
nem te falo
fugiu com minha velha wrangler
toda puída no cavalo
seu terceiro conselho
foi esse, enfim
se enforque com uma fita
do senhor do bonfim
hai-cof
ela fugiu
com um cara do bope
deixou um bilhete
toma essa, seu xarope
hai-kaio
se você soubesse, baby
que tua falta de lei
me derrubou mais
que uppercut do cassius clay
hai-jeans
aquela vadia
nem te falo
fugiu com minha velha wrangler
toda puída no cavalo
quinta-feira, 10 de maio de 2012
segunda-feira,
no desconcertos, eu tava sentada lá fora e o claudinei saiu e me disse:
o pai da paula tá aí! eu dei uma olhada e pensei: caramba, eu tenho
quase a idade do pai da paula. o segundo caramba foi: a paula tem 24
anos! aí eu, do alto dos meus quarenta e poucos, com milhares de cabelos
brancos, com tudo despencando numa velocidade maior que a da luz
pensei: como é que eu sou amiga dessa mina
toda gostosa, toda durinha, com acessórios privilegiados? não levei
mais que trinta segundos pra sacar que o que existe entre a gente tá se
lixando pra tudo isso. que a gente consegue rir das mesmas coisas bestas
e chorar por coisas não tão bestas assim. que de certa forma a gente
burlou esses anos de diferença em mesas de bar, em calçadas, prostradas
num sofá assistindo law and order sem parar (é, claudio zoli, ficou
pequeno pra você). mas eu confesso que sou sacana quando ela tá mal e me
pede um abraço ou algumas palavras porque a única coisa que eu posso
falar é roubada de nelson rodrigues: envelheça. talvez ela não saiba que
muito pouca coisa vai mudar. talvez ela nem precise saber. mas de certa
forma, hoje ela me obedeceu. feliz aniversário, paula klaus. eu te amo, garota.
terça-feira, 8 de maio de 2012
parei de fumar quando comecei a mastigar cigarros na frente do espelho. um maço por dia. um maço inteiro de dallas porque não existe hollywood pra mim depois de bogart. e não tem mais como a gente sempre ter paris se os ditadores de tendências torcem o nariz pruma casa branca. tinha um cara que só queria isso, ter uma casinha branca com varanda pra ver o sol nascer. deve ter se mudado pra algum desses países ao norte de lugar nenhum onde a noite dura seis meses. tá lá sozinho com uma vara de pesca metida num buraco no gelo. um lugar bem parecido com aquele onde o hunter thompson apontou uma arma pra uma máquina de escrever. é, cada um se vira como pode quando dá de cara com um iceberg, não dá pra gente ficar julgando ou achando que faria melhor. veja só, por aqui até o asfalto tá proibido e se você marcar touca leva uma tampa de bueiro na testa. a coisa tá num ponto que eu imagino que elas são lançadas pelos macacos de kubrick que tão putos da vida lá no esgoto. tão querendo a cabeça de darwin e na falta dela vai a nossa mesmo. com um pouco de sorte algum filantropo a embale num saco de papel marrom e a chame de jack ou de johnny. pena, cowboy, que vai ser tarde demais pra gente pedir on the rocks.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
você fica aí de punhetagem pra lua, me diz que te arrepia, e eu só olho pra tua cara quadrada esperando que ela - tua cara - diga, agora ajoelha e uiva. é, porque você tem essas de se dar ares de musa de da vinci e esperar uma compreensão ipsis litteris da minha parte. querida, eu tô longe disso. mais longe até do que esse satélite que você coloca em capricórnio pra justificar teus vacilos. tô pagando cada um deles. pagando com abdominais. porque pelo menos bíceps me parece algo tangível e em cãibra a gente mete gelol. de quebra vem até aroma de eucalipto e uma remota sensação de alívio nesse cotidiano insano que a gente se meteu. hoje eu até pensei em tatuar a planta desse apartamento nas costas, tipo prison break. porque eu tenho certeza que seria bem mais fácil sair dessa através de tubulações e poço de elevador. pode acreditar. eu não perdi nenhum episódio do macgyver.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
"Você fica se perguntando até quando as coisas se repetem, se existe alguma lei miserável que te condena ao ciclo, se existe uma ínfima probabilidade do teto despencar na sua cabeça para que sua consciência pese. Você espera e a gravidade não te ajuda porque você é uma massa insignificante que não se torna eternamente responsável pelo que cativa. Você nunca cativou nada, nem ninguém. Você não tem o que fazer no mundo. Mas na gaveta de seu criado-mudo há uma caixa de Valium 10mg. Você toma um. Você toma dois. Três."
Panelinha Books
Capa: Rodrigo Sommer
Apresentação: Lourenço Mutarelli
quinta-feira, 26 de abril de 2012
hoje eu tô usando a camiseta daquele filme com o de niro e imaginando o tal segurança que deu calote nas putas colombianas comendo a sarah palin. comendo mesmo. tipo pagando duzentos dólares pra vendar aquele puritanismo todo que ela traça com granola toda manhã. isso me enoja. granola, quero dizer. ela jogava leite desnatado na porra da granola porque não gostava do barulho de coisas crocantes sendo mastigadas. dizia que ecoava na cabeça dela. não, não a sarah. o mais perto que eu cheguei do alaska foi essa garota. ela tinha uma mancha na planta do pé e uma tia que testemunhou a aparição da nossa senhora numa torrada. aí ela entrou numas de álcool gel e sexo com assepsia. cara, eu te juro que teria muito mais tesão trepando com uma garrafa de vodka. arriscando até ser ciruncidado por um caco de vidro. só pra sujar aquele lençol anti-ácaro com minhas hemácias podres. ela que me ensinou isso do sangue ter hemácias. e umas duas outras coisas também. mas sabe como é, minha memória tá fazendo serenata em outro lugar. e eu tô aqui limpando sujeira das unhas da minha mão com um palito pra bater uma. não, não tô pensando nela. sério mesmo. se tivesse eu até te diria que ela era a cara da putinha do taxi driver. esqueci o nome da atriz, mas anos depois ela se meteu a desvendar mente de psicopata. faz frio pra cacete no alaska, né não?
segunda-feira, 23 de abril de 2012
eu nasci quando você assistia the rocky horror picture show
podia ter sido no banco traseiro de um buick 1976, pneu furado e tals, numa estrada poeirenta no meio de lugar nenhum. no meio do arizona. podia ter um suadouro, mas cá entre nós, eu estaria em pânico só com a possibilidade de um mexicano asesino en serie me obrigar a pagar boquete prum cacto. aí foi naquele motel escroto com cheiro de puta vencida e cocaína adulterada. ou ao contrário. eu embaralho as ideias da mesma maneira que você embaralha minhas pernas e eu te roubo atitudes assim mesmo, na cara dura. até quando minha boca está mastigando espuma de travesseiro vagabundo pra suportar a torção do meu braço sobre minhas costas. podia ter sido na escada de um predinho de três andares porque um trouxa abriu a porta pra pegar a comida chinesa. eu estourando sachês de shoyu com meus joelhos em carne viva. você dizendo pra velha sonâmbula que não consegue gozar com cheiro de leite de rosas e atirando o tênis na lâmpada de emergência. mas foi naquele fiapo de luz artificial que vazava pelos buracos de traças e iluminava teu movimento doente e - ah, como eu agradeço a isso - isento de delicadeza. podia ser um resto tosco de dignidade mas é só você pedindo um tempo para arrancar meus fios de cabelo do seu relógio de pulso. eu espero, baby, eu espero.
(publicado originalmente na revista clitoris)
quarta-feira, 18 de abril de 2012
a tv sair do ar bem no meio de beavis and butthead chega bem perto do que eu chamo, a contragosto, de mau presságio. aí você vê duas da manhã brilhando no relógio digital e fica só esperando a garotinha do poltergeist sair do meio da estática. às duas e cinco você pensa que teria sido melhor ela ficar por lá mesmo ao invés de virar uma charlie´s angel ou fazer par romântico em comediazinhas escrotas com aquele mala inglês do hugh grant. provavelmente agora você tá pensando na divine brown e eu não te culpo por isso. acho que todo blow job bem feito merece consideração. mas por aqui eu tive que me contentar com duas fatias de wickbold light saltando da torradeira. vai vendo se mau presságio foi exagero de minha parte. vai pensando que fonte de fibras na madrugada é uma decisão tão inteligente quanto o finado galaxy. pelo menos eu consegui terminar aquele livro do irvine welsh e o último conto é bom pacas. no mínimo a gente fica sabendo que escócia é mais do que algo que é servido num copo. falando nisso, eu tô com uma coleção incrível de copos temáticos de requeijão e não terei escrúpulo algum em te convidar pra uma exposição. vou até dar um nome pro infeliz que tem essa porra de trabalho. núncio alvarenga. decorador e projetista de temas de copo de requeijão. brindemos a ele.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
o sol atinge seus olhos com raios homeopáticos e você mal se livrou daquele sonho estranho. ele insiste. ele insiste naquela sua corrida sem obstáculos. no meio do nada. ele tem até as manhas de tirar uma da sua cara na hora em que o vin diesel passa, veloz e furioso, num corvette grand sport 1966. você até arrisca o gesto do carona mas quando você consegue mover as mãos você tá mandando um cool pra porra de um cacto. o foda é que agora você tá acordado queimando seus miolos numa ridícula tentativa de interpretar seu subconsciente. vou te falar, meu irmão, essa é a pior cagada que você pode arrumar pra sua vida. era vera o nome dela, não era? pelo menos é o que me lembro de ter lido naqueles seus poeminhas rabiscados. é, era vera sim. você a metia em rimas fáceis, fazia toda uma brincadeira com prefixos e reticências. você a chamava de ponto e vírgula por conta daquele defeito quase imperceptível. eu não sou lá um expert em coisas desse tipo mas acho que você machucou a garota. machucou um bocado. aquilo que chamam de ferir sentimentos e tals. aí você socava suas culpas nas fuças de um coitado que tava só esperando o ônibus cedo demais. o cara tava só evitando horário de pico mas teve a audácia de te dizer bom dia. cá entre nós, meu caro, bom dia, de vez em quando, é a melhor coisa que você tem pra falar se não for ficar quieto. cola mais que in vino vera está. o verso estúpido que você colocou numa garrafa de malbec. agora tá aí, esperando a próxima enchente pra mandar sua obra prima. eu, se fosse você, não contaria com a previsão do tempo. os caras erram pra cacete.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
parcialmente nublado mas que se dane, meu interesse por astronomia minou logo no big bang. depois disso foram só três minutos pra que se configurasse a merda toda. aí, baby, vem desavisado atribuir tudo ao cosmo e, na falta de poder de persuasão, apela pra "há uma carranca enterrada sob sua sala". pode acreditar que eu ouvi algo desse naipe e fiquei imaginando um mané indo até o rio são francisco pra surrupiar a carranca de uma embarcação fantasma e depois arrancar uma meia dúzia de tacos aqui pra enterrar a coisa. eu posso ser distraída, baby, mas são menos de dois segundos prum barulho de obra me tirar a razão. acho até que eu tô te dando um exemplo agora, um exemplo da minha falta de razão. tô abrindo uma caixa de pandora com pé-de-cabra sem gastar uma única gota de pudor. aliás, nem de suor. agora tem essas porras que duram 48 horas, bem além do que conseguiram fazer com o amor. porque se eu manjasse alguma coisa de patentes já teria tirado do papel aquela ideia antiga de amor em roll-on, só com uma única instrução, esfregar em áreas um pouco mais nobres que o sovaco. aí cada um define a nobreza que lhe convém e eu me safo de qualquer tipo de processo. ah, baby, é isso. é você fazendo falta demais. o que eu queria agora, de verdade, era ser uma ave migratória - o bicho tem as manhas de seguir campo magnético - só pra te encontrar no meio da estrada e te fazer uma declaração adolescente. pensei inevitavelmente em: você é o norte da minha bússola. e depois te digo, melhor, te juro, que você é a única coisa que tem sentido no meio dessa merda toda.
terça-feira, 10 de abril de 2012
porque hoje, quando eu te pedir gentilezas, não acate. não entre nesse meu jogo de sobrancelhas arqueadas nem pare o trânsito para que eu atravesse a rua. hoje eu tô atrás de ataduras, feridas expostas, processos dolosos, inquisições sem santidade. hoje eu não quero dignidade. hoje eu quero cassavetes, dedo na garganta, um destilado ruim pra acompanhar as bolinhas de menta de um maço roubado de pall mall. hoje eu quero discar um número qualquer e anunciar uma tragicomédia, pedir resgate por uma tumba violada, desistir de thomas pynchon na segunda tentativa. hoje eu quero ser voluntária numa obra de caridade e gritar a versão com final triste dos contos de fadas. quero alguém que me desafie num jogo da velha traçado com lâmina nas minhas costas, ludibriar dois grupos de pesquisa com o mesmo placebo, te escrever uma carta com erros crassos e uma cantiga para embalar pesadelos. hoje eu quero uma corda com nó de escota pra decorar o teto e cubos de açúcar no café requentado. hoje tua falta vai doer como nunca. só escuta. amanhã, quando eu te pedir gentilezas, não atrase.
sábado, 7 de abril de 2012
aí não importa mais se eu tenho uma queda por um momento spielberg quando chamo fogo fátuo de atividade paranormal. eu seco minhas lágrimas em lencinhos com ideogramas chineses e repito à exaustão o mantra que me chegou via e-mail numas de tentar passar algumas horas sem você. a gente deixou pra trás o que combinou, aquela escalada fake numa parede de academia não valia o preço e não contava com as nossas redes de segurança cheias de elasticidade. a gente quicou um bocado, não foi? e aquela sensação do estômago na garganta não era nada ruim, quer dizer, passava rápido, durava o tempo exato de eu poder me pendurar nos teus braços de novo e fingir um novo sintoma de labirintite. até que você me afastasse com cuidado e me lançasse aquele olhar de taxi driver com preço de bandeira 2. até que você fosse me desmascarando entre aqueles gestos desengonçados de arrancar o tênis de um pé com o outro. até que eu me rendesse à sua chave de perna - que se dane ken shamrock - sem pedir água. até que eu perdesse totalmente a capacidade de me distinguir de você. eu colecionaria toda tua anatomia em fascículos semanais de 9,99.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
te chamam de anjo torto que tateia no escuro procurando a terceira asa. te exigem um equilíbrio estável quando você caminha descalço sobre pregos. te mandam suportar a felicidade da última fotografia dos teus avós e dizem, é só passar um pano úmido na moldura. e aí você se dá conta que um pano úmido é tudo o que você tem. e você pode, veja só, esfregar tudo o que você tem na cara de um desavisado que anda de um jeito esquisito demais pra chegar a algum lugar. talvez do mesmo jeito que você andava quando teus pais meteram botas ortopédicas nos teus pés e aviaram uma receita falsa de convivência pacífica. você não consegue se lembrar do rosto da primeira garota que amou, a que se sentava três carteiras à sua frente. mas naquela aula de biologia você aprendeu que o que te cerca se chama epiderme e você gargalha ao perceber que pode esfacelar o que te cerca com uma gilete. opte por uma marca vagabunda. vai te custar menos de um real.
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